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FOTOSHOWRNALISMO É FOTOSHOWRNALISMO

Ao circular, hoje, pelo centro da cidade (POA) recebi muitas felicitações por ter ganho o recurso contra a ação cível e criminal movida pelo Fotonaldo (conhecido, também por Ronaldo Bernardi, de Zerolândia/PRBS), sempre cabe lembrar que não fui responsabilizado em nenhuma instância da Justiça, pela criação ou uso do apelido. Assim como estou liberado para o uso das expressões fotocampana, fotocascata, rei da cascada e showrnalismo. Caiu a liminar que desde 2009 tirava da rede o site (revista eletrônica de crítica da mídia) Pontodevista. Além das felicitações recebi algumas sugestões. A principal delas é de que deveria processar o cara por ter “censurado” o site, voltado para a crítica e ensino de jornalismo, por cerca de cinco ano, solicitando uma graninha. A todos respondi que desde o início da pendenga tenho afirmado de que jornalista não processa jornalista, oferece ou reivindica direito de resposta, e que após um tempo de discussões um dos lados reconhece ter errado. E que não poderia, agora, agir de outra forma. Mesmo considerando o fato de que o cara não merece qualquer consideração. Recebi, também, a sugestão de mover uma ação para recuperar a “merreca” que perdi na ação de direitos autorais. O domínio JOR (de jornalismo) permite utilizar e reproduzir textos e fotos de quem quer que seja, desde que dados os créditos. Procedimento que sempre adotei. O site não tem o domínio COM de comercial, onde se pode ganhar dinheiro. E que os direitos autorais são de Zerolândia, do PRBS, mesmo que ele seja um prestador de serviço. A estes respondi, igualmente, que os meus objetivos já foram alcançados e que quero distância desta história. Um pouco de generosidade com o “inimigo” só pode me fazer melhor. Brinquei com alguns dizendo que esperava que a ARI (Associação Riograndense de Imprensa) não desse ao cara, passado algum tempo, nenhum prêmio ARI-GÓ como forma de recuperá-lo. Uma das pessoas que me felicitou disse que se os movimentos sociais processassem o cara – pelos estragos causados com fotoshowrnalismo, ele estaria morando em baixo de uma ponte. Não quero, evidentemente, isso para ninguém.

a indústria do estica

Quero envelhecer com dignidade. Acho que venho trilhando e perseguindo este caminho. Muitos homens estão, também, submetidos à ditadura que escraviza uma parcela significativa de mulheres. O poder fascista da eterna juventude. Não estou me referindo a ter ou não vaidade. Uma boa auto-estima. Sou vaidoso e construí um estilo, ao natural e sem esforço. Não faço absolutamente nada para disfarçar a minha idade. Tenho todas as condições para estar com boa saúde. Pago muito caro por isso. Mas não vou procurar estar esteticamente parecendo mais jovem. Seria de uma absoluta banalidade uma possível preocupação com meus próprios cabelos brancos. É não ter o que fazer. Não vou cortá-los mais curtos para diminuir o branco, assim como não vou ter a “respeitabilidade” de uma barba branca, mas bem curta para não parecer de mais idade. Bem ao contrário, às vezes tenho vontade de deixá-la mais longa para parecer um velho mestre. Não cortar os fios loucos que são cultivados nas orelhas. Segundo os chineses sinais da velhice e sabedoria do dragão. Para eles, os fios do dragão. Admito que é mais fácil para nós do que para elas. Mas a indústria do “eternamente jovem” tem, avassaladoramente, estendido seus poderes sobre o universo masculino. Nosso país está na ponta em cirurgias plásticas. A indústria do estica. O ambiente das academias de malhação é o da mais pura exibição do nada. Claro que preciso estar atento à perda de massa muscular. Brinco, dizendo que o único exercício que fiz ao longo da vida foi o de virar páginas de livros. A minha barriga é um problema para ser visto do ponto de vista da saúde. Penso que é natural, da natureza, que as mulheres tenham mais preocupação com a estética do que nós. Esta preocupação quando excessiva é a expressão “sofisticada” da banalidade. Da futilidade. Nada mais correto do que estar com as unhas cortadas e limpas. Mas fica fora do meu quadro de raciocínio cuidar das minhas unhas como a mesma preocupação estética e a carga de subjetividade, feminina. Gosto das minhas garras. Sinto-me um pouco homem neandertal. Da caverna. Quanto movimenta de grana a indústria do estica? As mulheres escondem que fazem uso desta indústria, mas não muito. Os homens são discretíssimos. Recententemente fiz implantes dentários. O que deixa o rosto com uma aparência mais “jovem”. Mas, fiz por um problema de qualidade de vida e não por preocupações estéticas. Recuperei o paladar. Não fico inseguro para beijar. Os meus país não contavam com este avanço. No final da vida, a minha mãe tem dificuldade para se alimentar. A prótese não segura. Ela é do tempo que se dizia “chapa”. Sou inteiramente a favor da utilização de todos os recursos que melhorem nossa qualidade de vida e que, secundariamente, nos torne mais “jovens”, sem nos tirar a beleza da velhice. Tenho preocupações, sem paranoias, com a minha alimentação. Os chineses dizem que nossa saúde começa pelo que comemos. Mas está fora de cogitação – totalmente – as dietas da modernidade na base de congelados e suplementos. Adoro cozinhar e comer bem. Diminui a carne vermelha. À noite nem pensar. Consumo muito peixe. Não sou de resto um fundamentalista em absolutamente nada. Me alimento menos como todo velho que gasta menos energia. Esta ditadura fascista da eterna juventude que escraviza as mulheres, gradativa e progressivamente, estendida aos homens é a própria despersonalização, uma dissintonia entre o que somos mentalmente (ou deveríamos ser) e o que aparentamos fisicamente. Meu velho pai, um operário metalúrgico, militante do Partidão (PCB); e, no final da vida, militante do PCdoB não pode dispor dos avanços da indústria farmacêutica. Aos 16 anos me beneficiei (da indústria química) quando minha primeira namorada, com quem casei de papel passado, fez uso dos anticoncepcionais que acabavam de chegar às farmácias. Lembro que uma vez, ele chegando do trabalho, me pegou na escadaria do prédio dando um amasso na namorada. Quando entrei em casa tomei um esporro: “se engravidar ela te boto na rua”. Passei alguns dias longe do “arreto” que me deixava com as bolas doloridas. “Ficava” só de mãozinha. Por uns poucos dias. Vivi esta revolução com minha primeira companheira. Envelheço, e agora, com dignidade, posso fazer uso de outra revolução. Em lugar de velho brocha, velho, sim….. mas de pau duro. Nos meus 66 anos. E sem nenhuma pressa!!!!

(Mais uma vez assinalo que esta é uma escritura da alma, visceral, palavras-estiletes. Também, mais uma vez, peço desculpas pelas generalizações que possam dar o tom de dono da verdade. Respeito, rigorosamente, as escolhas diversas.)

graças ao bom capeta

Namoradas adoram quando deixamos à vista nossas fragilidades. Para o bem ou para o mal. Aprendi isso com a idade. Com o correr da vida. Não como um exercício oportunista, de hipocrisia ou de falsa modéstia. Descobri que criamos lanços de profundo carinho, respeito e cumplicidade, somente, quando mostramos nossas dificuldades, dúvidas e inseguranças. Quando pedimos colo. Homens bem resolvidos não se envergonham de pedir colo. O colo da amada é divino. Não significa deixar de ter uma atitude de proteção para com a elas. É claro que me refiro às namoradas que não estiveram disputando nada. Que foram parceiras. Bem resolvidas em quase todos os sentidos, mas principalmente como mulher. As do bem. Não aquelas que tiveram o prazer, compulsivo muitas vezes, de usar nossas “fraquezas” como elemento para a destruição de nossa respectiva auto-estima. Que nos colocavam para baixo. Com o tempo aprendi que a melhor forma de “conquistar”, insisto que não como exercício de manipulação, é ser verdadeiro em tudo, deixando à vista o fundo da alma. Uma obviedade. Sempre procurei agir assim. Mas, é claro que, na juventude, somos tentados, em alguns momentos, justamente pela fragilidade, a darmos uma de imbatíveis. Na “maturidade” ser “forte”, assim, significa mostrar uma puta insegurança. É verdade que algumas vezes e por circunstâncias de momento, vacilações, carências afetivas, ficamos impedidos de conseguir uma boa distância de situações neuróticas. Mas a ficha, sempre, acaba caindo, usando uma imagem mais comum. No entanto, nunca é de se arrepender por termos deixados à vista nossas respectivas fragilidades ao percebermos um erro de avaliação. A história acaba e saímos mais fortalecidos para a próxima, menos vulneráveis e mais dispostos, ainda, a termos mais autenticidade, sem recuarmos um milímetro para as forças da hipocrisia. Do fazer de conta. Trata-se de mais uma razão, bem ao contrário, para sermos redobradamente abertos e transparentes. Por, sempre, ter perseguido estas ideias, pelo menos a partir de um determinado momento, é que continuo tendo excelentes relações com todas as ex que não ficaram na superficialidade. Que não foram oportunistas. As “péssimas” histórias e foram raríssimas, tiveram curta duração. Graças ao bom capeta. Não guardo mágoas nem destas. Ninguém é responsável pela nossa eventual infelicidade. Muito menos por nossos equívocos. Nós, somos responsáveis pelas nossas escolhas. Um ideia sartreana. Disse, recentemente, em uma destas escrituras matinais que sou o que cada uma delas fez de mim. Que todos os meus casamentos deram certo. Verdades definitivas. Pela milésima vez digo que estas são escrituras construídas com palavras-estiletes. Cada uma delas e frases e ideias são resultantes de sucessivas raspagens. Bem lá do fundo da alma. Quero só transitar e dizer escrituras viscerais. Nos desculpamos, antecipadamente, pelas generalizações, pressupostos, simplificações e a carga de subjetividade, o que torna o texto cheio de limitações.