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à propósito de encontros e desencontros

MAIS UMA VEZ, A QUEM INTERESSAR POSSA
Pois fiquei sabendo que uma pessoa que transita em áreas onde tenho amigos teria dito de que sou um “stalinista vingativo”. É bom lembrar a este amigo e ao “inimigo” que ninguém da minha geração que tenha começado a militar em torno dos 16/18 anos, por conseguinte e com raríssimas exceções no velho Partidão (Partido Comunista Brasileiro) não tenha sido um “stalinista”. Os velhos militantes eram, de fato, stalinistas por opção. E nós por falta de opção. Até mesmo aqueles que, eventualmente, começavam sua militância em uma das seitas trotskystas tinham um comportamento stalinista. Muitos, passado os impulsos da juventude, se tornaram quadros da direita. Portanto não tenho nada a lamentar deste meu passado. Meu pai morreu sendo militante do PCdoB, bem no auge do maoísmo, uma variante oriental do stalinismo. Morria de medo de que eu lendo Sartre e Trotsky me tornasse, sem saber, um agente da CIA. Mas esta pessoa que fez esta observação, rancorosa, ao adjetivar o meu passado stalinista (do qual não tenho nenhuma vergonha) com o acréscimo do “vingativo” dá uma clara demonstração de ressentimento bem próprio das pessoas que tiveram uma trajetória política e profissional absolutamente insignificante. Modestamente posso dizer que não é o meu caso. Tenho o máximo de consideração, por exemplo, pelos “esquerdistas” do passado e que permanecem à esquerda, mesmo quando estão transitando pela direita. Nos últimos 30 anos tenho caminhado, com alguma dificuldade é verdade, cada vez mais em direção às posições libertárias. Não fiz, estando à esquerda ou a direta (da esquerda) qualquer conchavo para impedir quem quer que seja de ingressar em algum emprego. Nunca articulei um “contrabando” em uma notícia para desestabilizar um editor. Nunca precisei viver – não tenho nada contra – à custa de algum cargo de comissão de nenhum partido. È evidente que devo ter cometido muitos erros, mas nunca por falta de caráter. Nunca fui ao local de emprego de alguém criticar (“pixar”) quem quer que seja sem presença da pessoa criticada. A história de quem me apontou como sendo um stalinista vingativo pode ser de quem  transitou por estes fatos. Como já assinalei, anda recentemente, sou filho de um operário metalúrgico comunista e de uma mãe costureira, Tive uma educação “religiosa” em que a pregação fundamental era de que filho de comunista deve ser o melhor em tudo que faz, não mente (só na tortura); e, intransigentemente, está ao lado dos marginais, dos que estão à margem. Vingativo é quem vive remoendo o passado, vingativamente. A estas alturas da vida é papo reto, sempre.

(reprodução de texto já publicado no início de 2013)_