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um bom fim de semana

O meu sábado foi ótimo. Principalmente a parte da manhã. Estive em uma mesa com jornalistas da nova (ex-alunos) e velha geração. Em um café do Bom Fim (POA), que gosto muito e que fazia algum tempo que não freqüentava. Meu joelho está melhorando, quase bom. Foram muitos os assuntos. Mas, também, vi uma pessoa que há muito tempo não via. De relance. Mas tudo indica que ela está muito bem. De namorado novo. Certamente, deve estar feliz, pois que se viu livre, definitivamente, da história anterior e que foi péssima. Pelo que sei para ambos os lados. Juro fiquei feliz. Gosto quando encontro pessoas próximas de bem com a vida. De um modo geral, buscamos e merecemos a felicidade. A vida é um instante. Sou muito amigo do ex dela. Acompanhei bem de perto toda a história. Ele já tinha me dito que sabia dos novos caminhos dela, dizendo que achava ótimo, pois que tinha se livrado de uma rara (se não única) história, em sua vida, que gostaria que não tivesse acontecido. Da qual tem profundo arrependimento por não ter se dado conta do que iria acontecer. Ainda segundo ele, uma espécie de mancha em seu passado afetivo e que todos os vestígios já tinham sido deletados ou jogados no lixo. Fez, sempre, questão de dizer, agora faz tempo que não o encontro, que não tem quaisquer mágoas ou ressentimentos, querendo preservar, apenas, o máximo de distância. Esta história tem estreita relação com alguns textos que publiquei no BlogPontodevista sob a forma de relatos. Da última vez que nos vimos guardei o ar de felicidade dele ao dizer que estava livre. E que,  sem ansiedade, estava pronto para uma verdadeira história de amor. Ela parece que já encontrou. Que seja feliz. Por sinal,  todo o final de semana foi bom.

os que estão à margem com glamour ou a estética do colonialismo

SEBASTIÃO SALGADO I
Existem pessoas, cujo reconhecimento é tão grande que qualquer coisa que se diga delas ou da respectiva obra faz do “critico” uma pessoa execrável. Uma ex-aluna, jornalista atuando como fotógrafa, escreveu um trabalho de conclusão de curso comparando seis ou oito fotos (ñ lembro), de um famoso e reconhecido, com quadros considerados clássicos da icnografia cristã. São quase que absolutamente idênticos alguns elementos. Não sei de onde ela tirou a ideia. Coincidência? Pode até ser. Inspiração? Pode até ser. Mas é preciso reconhecer, dizer, indicar que tal relação existe. É claro que é preciso talento, também, até para “copiar”. Nada contra em arrumar (produzir) o “cenário” para a foto perfeita. Só que isso tem que ser dito. No fotojornalismo é condenável. A lógica atual é a do paparazzo. Da fotocampana. Ou da foto produzida. Das teles com flasches em plena luz do dia. Quem de nós não ficaria imbatível contando com o trabalho de alguns dos melhores profissionais de laboratório fotográfico, do mundo? Quem de nós contando com a patrocínio (antecipado e de milhões), em todas as etapas, não produziria séries fotográficas para a posteridade? Assisti, faz tempo, uma entrevista de um famoso, no programa Roda Viva que, a cada duas palavras dizia ENTENDE (uma coisa irritante), com uma atitude de superioridade e até mesmo de arrogância, intercalando palavras de “humildade”. Humildade conta pontos. Toda unanimidade é burra. No mínimo desconfio. Tenho um certo prazer de ficar na contramão. Não para ficar em evidência. Pelo simples prazer de ser gauche. Nasci torto. Ou idolatria de profissionais que estão submetidos a um dos piores momentos da história da profissão. Grande parte free. Desempregados. É quase tudo foto/divulgação ou de agência, coisa de relações públicas. Não tenho a pretensão de ter todas as verdades. Apenas uma parte dela. E não posso fazer nada se ainda penso!
SEBASTIÃO SALGADO II
Na porta da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS) um aluno pede para conversar comigo. E pergunta: professor, quantos fotógrafos da nova geração, trabalhando na mídia corporativa como o senhor diz, como setorista de polícia ou plantão, fazendo acidentes, poderá se tornar um Sebastião Salgado? Fiquei calado olhando para o aluno. Um olhar de simpatia. E, é claro, pensei que a resposta seria, nenhum. Devolvi a pergunta. E ele, nenhum. Segue o papo. Quantos fotógrafos da velha geração submetidos ao cotidiano das redações, mesmo considerando os bons tempos do fotojornalismo, conseguiram reconhecimento como o Sebastião Salgado? Não tinha, evidentemente, como devolver a pergunta. Respondi de pronto, nenhum. E, imediatamente, pensei em alguns talentosos: Armênio Abascal, Olívio Lamas, Scalco, Assis (estes já morreram), mas lembrei de Paulo Franken e Daniel de Andrade e de muitos outros, quase todos fora das redações. Fiquei pensando que todos estes poderiam ter sido um Sebastião Salgado, submetidos a outras condições de trabalho. Mil desculpas a todos que não foram incluídos nesta relação. Foram os nomes que primeiro me vieram em mente. Talvez por ter convivido com todos eles. O Armênio era puro talento, mas um “marginal”. Comprei, recentemente, alguns números, encadernados, da Revista Placar para ter algumas das mais brilhantes fotos do Scalco. A lista seria enorme.
SEBASTIÃO SALGADO III
Passei parte da manhã em um café do Bom Fim (POA). Uma mesa equilibrada. Metade de jornalistas da nova geração e a outra metade da velha geração. Para não fugir à regra, todos falando sobre jornalismo. Lá pelas tantas, um deles (nova geração) diz de forma direta: não gosto das fotos do Sebastião Salgado. Silêncio na mesa. Fico super atento. Até pelo fato de que este é um ex-aluno com o DNA da profissão. E segue dizendo o principal motivo. São imagens perfeitas, tecnicamente irretocáveis, verdadeiros quadros, uma glamourização dos pobres, marginais (dos que estão à margem), excluídos; e as de caráter, nitidamente, etnográficos obedecem à estética colonialista. Não tem nenhuma diferença expressiva de como os colonialistas retratavam fotograficamente e em seus desenhos os “primitivos”. Esta é a razão para agradar, amplamente. Imagens de marginais (dos que estão à margem) que não incomodam. Lindas. Seguiram-se várias observações. Da antiga geração escuto uma boa história. Diz ele, escutei um relato de uma antiga editora de cultura de tal jornal. Ela, como fotógrafa, super ligada ao Xingu presenciou a chegada do Sebastião Salgado com sua equipe. Conta várias detalhes sobre quem é esta pessoa, a relação dela com os povos da região, a importância no jornalismo e alguns aspectos da presença do famoso. Destaco um detalhe deste relato. O famoso estava fotografando um índio, pescando; e após algumas fotos se dá conta que o indígena está com um imenso relógio de pulso. Pede para que o índio tire o relógio e depois de muitas tratativas, desiste. O índio não aceitava tirar o relógio. Não lembro o valor citado que ele teria pagado para realizar a série. Uma puta grana. Este velho jornalista, após ressaltar a limpeza técnica das fotos, também, expressou concordar com as observações do mais jovem. Retornei para a “caverna” com a alma mais serena. Não estão, completamente, fora de propósito algumas coisas que tenho pensado e sobre as quais tenho rabiscado algumas linhas, nos últimos dias.