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meu umbigo, minha vida

Meu umbigo, minha vida. Este é um texto construído a partir do relato da experiência de um amigo. Procurei ser o mais fiel possível às suas observações, todas realizadas após terminar uma relação de namoro. Relato feito algum tempo depois de passar a tempestade. Sem ressentimentos ou mágoas. Com o humor leve por estar livre. Evitei relatar histórias (fatos) que serviram de base para tais conclusões. Cada afirmativa dele era seguida ou antecedida pelo relato de um ou mais episódios. Segundo ele existem pessoas tão egocêntricas que são incapazes de perceberem algumas das oportunidades que se colocam diante delas ao longo da vida. Ou se decidem por opções marcadas por uma certa pobreza de espírito. Desperdiçam, perdem o “time” de avançarem em direção a um outro patamar de entendimento da própria vida, das relações, tanto em um sentido mais amplo como mais restrito, inclusive e principalmente no plano da afetividade. Não são capazes de um outro tipo de apreensão do mundo. O respectivo umbigo dita o ritmo e o “olhar”. Por serem o centro do universo fazem do outro um objeto pelo qual não tem nenhum respeito, tanto no plano privado como público. Adoram as manifestações públicas de poder e que de alguma forma humilhem o parceiro. São pessoas de baixíssima auto-estima; e que, por isso mesmo, elevam um pouco a sua destruindo, sistematicamente, a do outro. Pessoas infelizes que não possuem boas histórias para contar, até mesmo pelo fato de que tornam quem se aproxima, infeliz. Minha vida, meu umbigo. Não conseguem construir e viver grandes amores. São pessoas atormentadas. Constroem relações de alta carga de neura. São “feiques” ao ponto de se tornarem fascinantes, inteligentes, sociáveis e amorosas. São falsamente possessivas e até ciumentas. Principalmente quando o parceiro que, vive o mundo real, deixa por alguns segundos de mirar o umbigo, dela. Leva um tempo para que a nossa ficha caia. E, às vezes não cai e a pessoa pena uma vida inteira. Ou fica enredada em um vai-e-vem, torturante. Vivendo por tempos na esperança de que a pessoa olhe para frente. Para quem está a seu lado. São pragmáticas que, oportunisticamente, aliam este interesse “amoroso” (desrespeitoso) à solução material de suas respectivas vidas. Uma certa e falsa docilidade está intimamente associada ao grau de submissão do parceiro aos seus interesses. Aproveitam-se da fragilidade momentânea e eventual do outro. Ou optam por alguém realmente já frágil e nada resolvido, igualmente um depressivo. Se este panorama estiver então associado a um quadro, hoje, denominado de bipolar o cara está roubado. Entrou numa fria. Enquanto estiver apaixonado acha até engraçado e lúdico uma certa passionalidade. Mesmo quando desrespeitosa. Quebra a rotina. Mas tendo uma certa sacada a paixão passa bem ligeiro. E até, segundo ele, a chave de boceta perde a força. Vira uma chavinha. Este amigo que tem uma certa qualificação intelectual e profissional, uma determinada história, em nenhum momento, procurou se colocar acima desta pessoa durante todo o relato. Assinalou, por diversas vezes, que tinha jogado todas as fichas na ideia de construir uma relação duradoura e definitiva, disposto a conviver com alguns dos eventuais defeitos dela e a fazer concessões. Ele tem uma certa idade e bagagem afetiva e existencial. Ainda segundo ele foi uma importante experiência. Concluiu dizendo que saiu fortalecido para a próxima história e não nega que, redobradamente, desconfiado.

(Reproduzi com o máximo de fidelidade as conclusões tiradas por este amigo e, propositadamente, omiti o relato de uma dezena de episódios, que ainda segundo ele, embasariam estas mesmas conclusões. Fui apenas o veículo.)