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paixões

I
Já pensou que namorar pode ser um ato revolucionário, de absoluta resistência ao tédio pós-manifestações? Em uma tarde de inverno, bem agasalhado, em um banco de praça ou em um café charmoso ou em um “sujo” teremos o cenário para que a paixão permaneça tendo espaço. Em momentos de grande confusão, de alguma desorientação, de um aparente refluxo, de reflexão, estar acompanhado pela namorada representa desfrutar outro tipo de beleza. Sua semana ficará completa. A vida para os amantes da vida, em manifestações de protesto e no namoro, estará sempre em movimento não rotineiro. Faltam espaços para os apaixonados e românticos. Daí este grande movimento de retomada das ruas. Fiquem com a idéia de que as atitudes apaixonadas são temidas pela elite, pois que representam um enorme perigo para estabilidade do sistema. Ir para as ruas se manifestar ou escancarar a “vagabundagem” em uma tarde de namoro é uma grande perturbação ao sistema organizado para o trabalho. Rebeldia, sempre!!!!!
II
Em dias de manifestação de rua teremos noites de amor. Sério. Livres, leves e soltos. Noites em que não jogamos a responsabilidade pela nossa felicidade em outras pessoas. Por isso mesmo, o anarquismo é a idéia de que absolutamente ninguém está mais qualificado do que você mesmo para decidir o que você irá fazer de sua própria vida. Cada um de nós precisa escolher a vida a ser vivida com felicidade, em sucessivas ações de prazer, nas ruas e na cama. Ou teremos o tédio do espetáculo que imobiliza e nos joga nos necrotérios da vida, impotentes. Brochas. O sistema criminaliza a busca pela felicidade. Este é o principal crime. Na década de 70, os “malucos” da Facção Exército Vermelho (grupo Baader Meinhof) diziam que atirar e “fuder” era a mesma coisa. Temos que nos perguntar como é possível que “responsabilidade”, “ordem e progresso”, “propriedade”, “competição”, “eficiência” e outras tantas bobagens possam substituir a deliciosa procura pela felicidade.
III
Rua é poesia. Manifestações que vandalizam é poesia em dose dupla. O oposto ao senso de absoluta inutilidade e desesperança. Representam sensações reais. Excitação sexual. E nesses momentos que as ruas são ocupadas por seres que não fazem os mesmos movimentos e gestos. Não estão organizadas para o trabalho. Singularidades em um movimento coletivo com o compartilhar de uma experiência comum. A experiência que indica que destruir é um supremo ato de criatividade. Destruir “nossa” cultura que não permite a marginalidade e que investe contra as pessoas que não estabeleçam plataformas consideradas sadias e dentro dos padrões estabelecidos. Os “punheteiros”, inseguros defensores do sistema, ficam apavorados diante de corpos que dançam, nas ruas, munidos de pedras e em permanentes diálogos com o mestre Molotov.
IV
Os vapores do vinho. As defumações com a diamba. A ação dos vândalos anarquistas. As ruas de corpos não organizados para o trabalho. O desajuste extremo das pedras lançadas contra as barreiras policiais. O diálogo sempre fraternal com o mestre Molotov. A imensa excitação sexual provocada por estar marginal, à margem do sistema. Pagar menos pelo transporte. Uma sensação de prazer. Mobilidade urbana é nome dado por eles para nos levar mais rápido para o trabalho. O sistema esta perdendo com o tempo que perdemos nas grandes cidades. Não esqueçam que eles acham que “tempo é dinheiro”. Queremos imagens para melhor imaginar. E não para ficarmos na passividade televisiva. Precisamos nos ver livres da passividade da simples visão. Assim como crianças quebram seus brinquedos, precisamos destruir em freqüentes vandalizações, única forma de perturbar o sistema que teme as máscaras e a força das ruas. Forças muito “pequenas” podem ser sonhadas como utopias que são furacões. Luta de classes existe, sim!!!!

As fotos da coluna da esquerda são de Mapplethorpe (1946/1989)
1. Lucy Ferry, 1986
2. Doris Saatchi, 1983
3. Louise Nevelson, 1986
4. Aline Neel, 1984

da série vândalos do mundo, uni-vos!!!!

Manifestação disciplinada, com horário, roteiro, proteção policial, trânsito organizado é coisa de organizadores Bundões. É manifestação de uma facção organizada qualquer, do sistema, em discuta com outra facção. É medir forças ou disputa de beleza. MANIFESTAÇÃO é, sempre, vandalismo. DESTRUIR é um supremo ato de criação. A Liga Internacionalista dos Exus Esquerdistas, com o financiamento do BFAP – Banco de Financiamento das Atividades de Pirataria está propondo: VÂNDALOS DE TODO MUNDO, UNI-VOS!!!!! com o apoio da Associação de Estudos Comparados das Sacanagens de Mídia Corporativa. VANDALIZEM!!!!!

II
Os zapatistas dizem que o poder teme o poder das máscaras. Noticiários televisivos destacaram que nas manifestações dos últimos dias, os vândalos escondiam o rosto. O aparelho policial estava “enferrujado”. Fazia tempo que não distribuia umas porradas para o espetáculo da mídia corporativa. O sistema precisa de “paz e organização e disciplina” para o trabalho. O vandalismo dos protestos é um resgate, mesmo que momentâneo, de nosso estado natural: soltos, leves e livres e criativos na destruição. Não aceitamos sermos escravizados pelo trabalho e por um sistema de transporte caro que só acentua este “vai-e-vem” que nos coloca em circulação no mundo das mercadorias. Agora, nós podemos ser o espetáculo. Um espetáculo que não interessa ao sistema. A tecnologia usa as pessoas, mas as pessoas estão usando a tecnologia para abrir brechas. Mas ainda é na rua que tudo se decide. Na alma encantada das ruas que o jogo ainda será jogado. Estamos reaprendo. Faltou as bolinas de gude, as fundas e um diálogo mais franco com o amigo Molotov. Restam em todo o mundo cada vez menos espaços livres, onde conseguimos deixar correr – bem livres – nossos corpos e mentes. Existe um sistema de controle automatizado que só quebreremos em permanentes rebeliões. VÂNDALOS DO MUNDO, UNI-VOS!!!!!

III
Precisamos virar o mundo de cabeça para baixo. A vida está nos esperando em sucessivas rebeliões. Pelas árvores, pelos animais, tarifas justas para o transporte coletivo, contra as desocupações arbitrárias e contra a sujeira e o lixo do sistema. Menos lixo já é uma rebelião. Sim, contra este mundo de embalagens do nada. A vida está nos esperando em praças não privatizadas. nas montanhas e nos rios não poluídos. A vida está nos esperando. Só depende de nós. Então, analise o mundo em volta e assuma a rebelião contra as forças que atuam em sentido contrário a seus desejos de uma vida com qualidade de vida. No jogo de cartas marcadas do sistema quase nenhuma diferença faz suas posições na política real. Árvores serão derrubadas em qualquer governo. Tarifas serão aumentadas em qualquer governo. O “Capital” é o Deus que manda em todos eles. Acreditem, existe uma brutal diferença entre vida e sobrevivência. A pergunta que temos que fazer é quanta coisa realmente viva temos em nossas vidas? Só descobriremos em sucessivas e lúdicas rebeliões, liberando nossa energia destrutiva e erótica nas ruas, vandalizando. Passamos muito tempo em lugares que são necrotérios. Lugares criados pelo sistema para nos aprisionar. Com todo o “desenvolvimento” ainda é na rua que o verdadeiro jogo é jogado. Que venham novas e renovadas manifestações. VÂNDALOS DO MUNDO, UNI-VOS !!!!!!

IV
Estamos cercados por muitos coveiros. Sim, os coveiros das árvores, do ir e vir em transporte coletivo caro e demorado, dos espaços públicos privatizados. Locais onde eles, os coveiros impõem a tristeza. Precisamos ir atrás de nossos sonhos, destruindo os padrões antigos em sucessivas rebeliões. A vida com qualidade de vida está junto aos que estão nas ruas brigando, vandalizando. É onde flui uma energia criadora e cheia de erotismo. Manifestantes jogando pedras, botando fogo no lixo que o sistema nos obriga produzir, brigando por centavos (milhões) e por árvores não cortadas e por muitas coisas “insignificantes”. Essenciais para o lucro. Precisamos desprezar as migalhas que o sistema nos oferece através de um mundo de imagens. Passamos muito tempo contemplando. Perfumaria, variedades, secos e molhados, da mídia corporativa têm uma função ideológica. Tirar nossa atenção de onde as coisas se decidem. É nas ruas que o jogo é jogado. Precisamos pensar e estabelecer novas práticas. “Fuder” nas praças privatizadas e vigiadas pelo poder público e pelas empresas de segurança privada. Os “baader meinhof”, da Facção do Exército Vermelho, na década de 70, já diziam que “fuder” e atirar eram a mesma coisa. Que imensa energia erótica e – por conseguinte – que “imensa alegria libertamos” nos enfrentamentos de rua. A felicidade esta em brigar por uma vida com melhor qualidade de vida e justa. VÂNDALOS DO MUNDO, UNI-VOS!!!!

V
A Turquia é aqui. E lá eles sentem a presença de Porto Alegre, Rio, São Paulo e de todas as cidades de nosso país, onde ocorrem manifestações de rua. Na próxima viagem em um veículo do sistema de transporte coletivo (POA) pergunte ao cobrador como ele quer receber. Se em cheque ou cartão de crédito Mastercard, em boleto bancário ou por alguma forma de financiamento. E que você não tem dinheiro-vivo. Se tiver como resposta que a única forma de pagamento é com dinheiro diga que você não trabalha. Não tem grana, nem cartão, nem talão de cheque, nem plano de saúde, assim como nenhuma possibilidade de saque em caixas eletrônicos. E que a única grana que você tem – do tempo que você trabalhava para enriquecer alguém – está em cofrinho tipo porquinho. Sendo que você nem lembra onde escondeu a fortuna, poupada. Não se esqueça de pedir desculpas ao cobrador por armar um “barraco”, afinal ele é um trabalhador. Uma pessoa que ainda não sacou que existem mil razões para não se trabalhar. Ninguém pode botar um preço no seu tempo, assim como te obrigar a ter horário e a vestir um uniforme e a obedecer a um aspone (um assessor de porra nenhuma). Existem formas de aproveitarmos a vida bem interessante em lugar do tempo que perdemos no trânsito das grandes cidades. Porto Alegre está infernal. Um lotação da Lomba do Pinheiro, no horário de maior movimento, chega a levar uma hora e meia de uma ponta a outra. E o que é pior em qualquer dos sentidos. Aproveitem para discursar dizendo aos outros passageiros que sem dinheiro você não é mais tentado a consumir produtos inúteis. Conclua conclamando todo a participarem das próximas manifestações de rua. VÂNDALOS DO MUNDO, UNI-VOS!!!!!