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Liberdade programada

“Em aparelhos não ainda inteiramente automatizados, em aparelhos que exigem para o seu funcionamento intervenção humana, tal  ’acidentalidade’ não é aparente. O fotógrafo profissional parece levar o seu aparelho a fazer imagens segundo a intenção deliberada para a qual o fotógrafo se decidiu. Análise mais atenta do processo fotográfico revelará, no entanto, que o gesto do fotógrafo se desenvolve por assim dizer no ‘interior’ do programa do seu aparelho. Pode fotografar apenas imagens que constam do programa do seu aparelho.”

“Por certo, o aparelho faz o que o fotógrafo quer que faça, mas o fotógrafo pode apenas querer o que o aparelho pode fazer. De maneira que não apenas o gesto mas a própria intenção do fotógrafo são programados. Todas as imagens que o fotógrafo produz são, em tese, futuráveis para quem calculou o programado aparelho. São imagens prováveis.”

Imagens produzidas em lomography com uma máquina Diana F+. Filme 120mm, superia X-TRA 400 da Fujifilm. “Escaneada” de um negativo 6×6. Foco em infinito. Abertura para dia nublado. Leve diminuição de contraste. Centro de Porto Alegre, em agosto de 2010.  Em “lomo” percebemos a exata dimensão da “obviedade” pensada por Vilém Flusser.

“Em toda imagem técnica é possível descobrir-se tal colaboração e luta entre o programador e a liberdade informadora.” Textos de Vilém Flusses, selecionados do livro “O Universo das imagens técnicas – elogio da superficialidade”, editora Annablume.

Leitura obrigatória para quem fotografa e pensa. Apertador de botão não vai entender nada. “Fotocampana”, por exemplo, só é possível como prática fotográfica com modernos equipamentos. Com poderosas teles. E com uma mente policial, claro.

mês de setembro é dedicado a Salvador Allende

Em 11 de setembro de 1973, nossas esperanças de construção de uma sociedade socialista, chegando ao poder pelo voto, se foram com o golpe militar no Chile, e, o fuzilamento do presidente Salvador Allende. A brutalidade reacionária, que já era imensa, em toda a América Latina, definitivamente, se implantou com uma das mais gigantestas máquinas repressivas. Com tudo que já foi escrito sobre este período, ainda assim, não cometeríamos nenhum exagero ao dizermos que muito pouco sabemos dessa história. É imensa a lista de desaparecidos em toda a América. Grandes fortunas foram construídas, impérios da mídia corporativa foram implantados, e até hoje pagamos caro pela “modernização” imposta pelo Império. A história tem sido escrita pelos vencedores. Este pequeno registro se coloca na contra-mão. E, assim, lenta e história dos oprimidos. (wu)

Este é o texto de abertura de uma seqüência de páginas que dedicamos a Salvador Allende, em setembro de 2005, para a revista eletrônica Pontodevista.  Estaremos disponibilizando este material nos próximos dias com o desenho original da época.  AQUI Allende vive.

O  Primeiro Caracol Libertário

Cerca de 80 militantes anarquistas, dos movimentos sociais, integrantes de grupos teatrais, gente de capoeira  presentes na mística de abertura do Primeiro Caracol. A mística, uma espécie de solenidade, deu o tom de todo o encontro. A ideia de que a força das ideias e a ação coletiva são os elementos básicos para a construção de um mundo de absoluto respeito à liberdade. Gente jovem com um puta tesão pela vida.

A noção de solidariedade internacional é sempre um elemento muito presente em todas as manifestações e encontros anarquistas.

Este é dos muitos mecanismos de organização e resistência (e até de sobrevivência) de um número expressivo de militantes dos movimentos sociais.

Imagens da revolução espanhola são sempre uma referência para os movimentos anarquistas. Propositadamente não escolhemos imagens que facilitem a cartografia dos aparelhos repressivos.

porto alegre é funck

o nível de acesso no dia desta postagem foi um dos mais altos dos últimos tempos. Estamos preparando uma série de outras matérias na mesma linha. Como parte do processo de desmoralização dos jornalões da mídia corporativa, um howrnalismo que fica, sempre, de costas para a cidade real.

O funck, minha gente, é o futuro do movimento social

o bonde do tigrão vai anarquizar o bananão
Eu acho funk carioca o máximo.

Um bando de analfabetos funcionais miseráveis e sem o menor refinamento se junta, aprende a operar aparelhos até certo ponto sofisticados, apropria-se de peças da indústria cultural e avacalha com tudo, transformando-as em um batidão irresistível pontuado por letras que falam de suas próprias vidas. Cultura popular é isso aí. Mais do que isso, estes jovens criam um mercado próprio para sua música, inventam festas que reforçam os laços comunitários — muito embora isso em geral envolva tomar posição contra outras comunidades — e criam um sistema de distribuição de renda e ascensão social próprio das favelas. De acordo com reportagem da revista Carta Capital de 20 de abril, por Pedro Alexandre Sanches, não são raros os funkeiros que faturam mais de R$ 10 mil por mês. Além disso, sua música tem um sistema de distribuição independente de fato, passando longe das grandes gravadoras e até mesmo dos impostos cobrados pelo governo. Os intelectuais de plantão, quando poderiam enxergar no funk a manifestação de uma imensa criatividade que, bem canalizada, poderia gerar música popular de excelente qualidade, preferem desqualificar o estilo com base em padrões eruditos. É óbvio que o funk é ruim. Difícil é esperar de excluídos semi-analfabetos que façam música que siga alto padrão, com a qual nunca tiveram contato. Critica-se também a “mensagem” do funk. Mas ora, não se passou décadas exigindo uma cultura verdadeiramente popular no Brasil? Pois aí está ela. As letras falam da vida daquelas pessoas: assassinato e tráfico no horário comercial, sexo e drogas à noite para relaxar. Talvez algumas personalidades mais delicadas sintam nojo ao ver a falta de perspectivas daquela juventude exposta assim, nuazinha. Assim como se chocam ao escutar meninas pedindo para serem “atoladas no cuzinho” ou coisa que o valha. Acham que isso mostra a exploração sofrida pela mulher nas rudes vielas onde mora a escória. Estranho não passar pela cabeça da gente de bem que elas possam realmente gostar disso e, na verdade, estejam levando o feminismo a um ponto mais alto, mostrando que podem encarar o sexo de maneira tanto quanto ou ainda mais fisiológica do que os homens. O principal, no entanto, é que eles parecem estar se divertindo. E muito. No fundo, toda a grita contra o funk pode ser preconceito contra o fato de pobres estarem se divertindo. Da direita — porque, audácia! A ralé não tem o direito de se divertir! — ou da esquerda — porque eles deviam estar sofrendo com suas condições de vida subumanas e preparando a revolução, ou ao menos rendendo material para o Sebastião Salgado. Acho o funk carioca o máximo não tanto como estilo musical — embora admita curtir um pancadão bem pegado em certos momentos —; acho o máximo mais como instituição. O funk, minha gente, é o futuro do movimento social. (publicado em CMI Brasil, de Ariel Almeida e Marcelo Träsel)

PORTO ALEGRE É FUNCK

Na Deriva noturna fiz um circuito funck pela cidade. E foi muito bom. Em todos os lugares fui bem recebido e  solicitado para fotografar. Mulheres incriveis, apavorando nas pistas. Negras, muitas negras.

Essa mulher foi a minha guia e proteção. Janaina é o nome dela. Super educada. Mesmo tendo tomado muitas cervejas nunca perdeu o controle do que estava rolando. Sempre ligada. Ela é Imperadores do Samba.


Não presenciei nenhuma confusão, atos de violência, pessoas consumindo drogas, mas só gente do povo se divertindo. Ela fez questão de fazer todas as poses possíveis.



Mais uma vez sou obrigado a dizer que a cidade real não está nas páginas dos “jornalões” da mídia corporativa. Existe um circuito funk em Porto Alegre. E não é na periferia da periferia. Passa por alguns bares do centro e termina, caso se queira, na Bom Jesus.



Estudante de comunicologia que não for Bundinha precisa conhecer esse lado noturno da cidade. A Cidade Baixa tá mais pra um coisa bundona . Espaço bem comportado e super vigiado. Transgressão musical, sensualidade em cada gesto, letras de músicas com o país real, nenhum bêbado incomodando, tudo mundo se paquerando, as pessoas rindo muito, preços possíveis, garçons que entregam o troco certo; é por esse outro caminho. Passei os últimos cinco dias em Derivas noturnas. Só  na madrugada passada fiz umas 500 fotos. Tudo olho no olho e conversando com as pessoas. E LEIA MAIS AQUI.

jornalismo se faz na alma encantada das ruas, flanando

Estamos pensando em fazer algumas aulas de jornalismo em locais como estes que tenho andado. Não existe o mínimo espaço para o Lead. E quem topar pode levar de quebra uma vacina contra o bundismo.  Esta profissão só é possível quando exercida com paixão. Lamento dizer, sem nenhuma arrogância, na minha idade ninguém faz o que eu faço. Sou jornalista, sempre.

assim,

estreitando

meus laços

com o povo

do meu país

Primeiro caracol libertário da Cambada

Cambada convida a todos para participar do I Caracol Libertário da Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta FavelA…O nome “Caracol” vem inspirado em Chiapas, onde existem espaços autônomos onde se constrói debates, experiências, construção de conhecimentos, cultura e tradições dos povos originais. Hoje em Chiapas estão as maiores experiências sociais influênciadas pelo anarquismo e o Caracol ou os Caracóis são espaços de construção fora do molde europeu e branco colonizador. Então, nós queremos fazer um encontro aberto entre os companheiros de luta, arte e contestação desse sistema em que vivemos e também entre todos que tiverem vontade, curiosidade de participar para discutirmos sobre visões do que seria uma sociedade libertária e suas possibilidades de se concretizar nesse mundo de hoje. Será um dia de troca e vivência onde diversos grupos e indivíduos compartilharão informações sobre ações, pessoas, movimentos e teóricos libertários.

O Caracol vai acontecer no Quilombo das Artes, Comunidade Autônoma UTOPIA, escadaria da Avenida Borges de Medeiros (Porto Alegre), n.709.

Programação:

8h – café da manhã por conta do LevantA… e cooperativa do Utopia

8h45min – Mística de abertura

9h – Tensão Anarquista

10h – Especifísmo e Introdução às Correntes do Anarquismo

11h – Louise Michel

12 – Almoço e FEIRA DE TROCAS

13:50 – Dinâmica

14h – Anarcofeminismo na América Latina: Juana Rocco Buela

15h – Anarquismo e Feminismo

16h – Vivendo em Redes e Morando em Comunidades: Perspectiva Revolucionária o Movimento Socio-ambientalista

17h – Capoeira de Angola como ‘Movimento’ de Resistência

18h – Filme: “Romper el Cerco”

19h – Mística de encerramento

20h – …

O Caracol é GRATUITO

A alimentação se dará da seguinte maneira:

café da manhã: por conta do Levanta e da cooperativa do Utopia

Almoço: rateio da grana que faltar

lache da tarde: ‘piquinique’ – será compartilhado os alimentos trazidos pelos participantes para o lanche (bolacha,bolos,pãos,docinhos,salgadinhos,etc).

FEIRA DE TROCAS – tudo aquilo que tivermos e quisermos trocar, serão feitas somente trocas, venda ñ poderão ser feitas!

Terá o espacito das crianças, CIRANDA.

Levanta favelA!