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Novos revolucionários, imaginadores

” O novo engajamento político, entretanto, não se dirige contra as imagens. Ele procura inverter a função das imagens, mas admite que elas continuarão a formar o centro da sociedade por todo o futuro previsível. Ele procura fazer com que as imagens sirvam a diálogos mais que a discursos, mas não pretente aboli-las. O novo engajamento  político nasceu no interior da revolução técnica atual, ele não se opõe a ela (como os fundadores das religiões não se opuseram à revolução neolítica, como os bolchevistas não se opuseram à revolução industrial no interior da qual nasceram). É que os novos revolucionários são imaginadores, eles produzem e manipulam imagens, eles procuram utilizar sua nova imaginação em função da reformulação da sociedade. Os novos revolucionários são fotógrafos, filmadores, gente de vídeo, gente de software, e técnicos, programadores, críticos, teóricos e outros que colaboram com os produtores de imagens. Toda esta gente procura injetar valores, politizar as imagens, a fim de criar uma sociedade digna de homens.”

Vilém Flusser 

QUAL O SENTIDO DESTAS MANCHETES? 
“Estadão”, edição dominial de 30.05.2010. Será que eles estão em campanha eleitoral isentamente? Será que o TSE não irá multá-los? A turma do TSE lê o “Estadão”?  ”Folha de São Paulo”, também edição dominical. A turma do TSE lê a “Folha”? A mídia corporativa, nativa como diz Mino Carta, tem um lado.               (clique nas imagens)

“EUA: acordo obtido pelo Brasil no Irã é ‘inaceitável’”. Inaceitável para quem?
“Evo, Lula e a polêmica da coca”. Polêmica para quem?
“Nordeste do país cresce em ritmo de ‘Chináfrica’”. Quem diminuiu a distância entre pobres e ricos?
“Para eleitor de Dilma, Serra é mais experiente”. Experiente em quê? Na criação do PCC e na Polícia que mais mata?

####### Não deixem de ler o número especial da revista “Caros Amigos” com a chamada de capa “A DIREITA continua forte, ataca e morde”.

Recomendamos que cada um rogue uma praga horrível contra uma instituição malígna. Pena que sou pouco lido por eles. Poderia aumentar minha coleção de processos. Uma técnica adaptada dos feiticeiros da Malásia consiste em enviar para a empresa um pacote com uma garrafa selada com cera negra. E dentro dela: insetos mortos, escorpiões, lagartos e junto um saco com terra de cemitério (“gris-gris” na terminologia vodu), junto com outras substâncias nocivas; alguns ovos perfurados por alfinetes de ferro, uma máquina de escrever antiga de ferro, também; e um pergaminho com a palavra BUNDÕES. Estamos armazenando bombas vermelhas, todas disfarçadas de negras, para todos estes fascistas estéticos – elas explodem com esperma, ervas hilariantes (as chapantes estão escondidas), produtos da pirataria, heresias xiitas e muitas fontes paradisíacas borbulantes, com ritmos de alta compexidade, pulsações de vida e muitos componentes do lixo eletrônico.
 

Palhão cultural não chapa

Vamos reeditar todo o material publicado na Coluna Colomy, sempre nas sextas-feiras, tendo em vista o número de solicitações.  Com o novo “leauti” temos certeza  que ganharemos novos leitores.  As páginas, as capas da revista eletrônica Pontodevista, onde originalmente foram publicados os textos,  continuarão disponíveis, também, em função dos pedidos para que  não se perdesse o antigo desenho. Esta primeira coluna foi publicada na edição de número 23, em maio de 2004. Outra ideia é a de reedição dos Microeditoriais.

O COOJORNAL, JORNALISMO COMO SUBVERSÃO

“A maconha só penetrou na cultura européia por volta de 1800, provavelmente trazida pelas tropas de Napoleão, depois da campanha no Egito. Mais tarde, em 1840, o poeta Charles Baudelaire e o escritor Alexandre Dumas, entre outros, fundaram o Club des Hachichins, no hotel Primodon, em Paris. Em 1879, o Egito torna-se o primeiro país a proibir a Cannabis. Um comunicado da época informa que ‘nunca poderá existir um Estado racional sem que o haxixe seja controlado. Seus fumantes só sabem sonhar’. Nos países orientais, onde o uso da Cannabis é tradicional, a proibição é imposta por uma minoria da classe dominante, como forma de dominação. As elites destes países aceitam a ideologia ocidental e preferem difundir o uso do álcool — diz o psiquiatra Thomas Saszem seu livro “A Fabricação” da Loucura (Zahar, 1978). No início da década de 30, a maconha começou a ser combatida também nos Estados Unidos, numa campanha financiada pela Igreja Protestante e pelos mórmons. Lester Grinspoon, da revista Scientific American, explica que ‘na verdade, o que houve foi uma reação da população branca americana que considerava a maconha ‘uma droga que não era de brancos, uma vez que ela só era fumada por negros, porto-riquenhos e índios.” (texto de Eduardo Bueno, Coojornal, n.60, dezembro de 1980)

“A máquina fotográfica não é um olho, e menos ainda um par de olhos. Ela não sofre as transformações ópticas, químicas e nervosas que atingem o olho e fazem com que sua visão esteja incessantemente em movimento e em mutação. Ela não é atingida da mesma maneira pela luz, pelos constrastes e pelos fatores temporais da percepção. Não é habitada pemanentemente pela atenção é pela busca visual. Em resumo, uma foto nunca é um olhar que teria sido congelado. Além disso, o espectador não olha uma foto como olha o mundo. Aliás, é o que constitui interesse de uma foto: ela permite aprender não a ver, a receber de maneira diferente uma imagem vistual. Diante de uma foto, o espectador obedece a uma estrutura de expectativa quando à representação, ao reconhecimento, à rememoração, à emoção, ao imaginário, ao desejo, à morte, etc.”

François Soulages

O diabo é a vanguarda

“Uma derrota definitiva do diabo (por inconcebível que seja) seria uma catastrofe cósmica irremediável. O mundo se dissolveria. Mas a nossa tradição nos ensina que o mundo foi criado por Deus. Começamos a perceber os motivos positivos do diabo. E os motivos divinos continuam obscuros. Já agora intuímos, o fato de que o diabo é-nos muito mais próximo que o Senhor, e que seguir o Diabo é muito mais cômodo e simples do que perseguir os obscuros caminhos divinos.”
 Este é o livro. Uma leitura endiabrada. “A história do Diabo”, de Vilém Flusser editora Annablume pode virar a cabeça do leitor.  Não sei mais o que marcar, o que assinalar como ideia importante. Diz ele ” definiremos portanto a Terra como o propósito da máquina celeste. O diabo criou os céus, para criar a terra. E criou a Terra, para criar a vida. E criou a vida, para criar a humanidade. E criou a humanidade, para criar o espírito humano, esse espírito que conhece o Bem e o Mal, portanto o campo do pecado. Em outras palavras: a Terra é o palco do pecado. É ela a oficina na qual o diabo forja sua arma para a conquista da realidade: o espírito humano. Essa obra forjada continua progredindo, e a arma ainda está longe de ser perfeita. Há dezenas de milhares de anos o diabo afia e amola o espírito humano, para aperfeiçoá-lo. Os pecados capitais são os abrasivos. O produto acabado, o espírito humano perfeitamente diábolico, é um ideal que por ora não alcançado. Mas essa perfeição diabólica é o propósito da Terra.”

Vilém Flusser

Este texto está sendo amplamente estudado pelas colunas guerrilheiras do Movimento de Libertação Vodu Revolucionário, organização filiada à Liga Internacionalista dos Exus Esquerditas, assim como pelos militantes urbanos do Centro de Estudos Comparados das Sacanagens da Mídia Coporativa. Só gente do primeiro time.

A IMAGEM
Clique na imagem.  Da mesma série grafismos. Filme Tri-X  Iso 400, nenhuma regulagem de velocidade ou abertura. Máquina actionsampler, de fabricação chinesa. Centro de Porto Alegre, Terminal de ônibus da Praça XV, proximidades do Mercado Público. Cada fotograma registra quatro quadros, com movimento no sentido anti-horário.

Na última audiência, do processo criminal que é movido contra mim pelo funcionário do PRBS, me foi perguntado os motivos pelos quais denominava Zerolândia de Zerolândia (jornal Zero Hora). Respondi que se Zerolândia denominava o MST de MSTlândia, o Hugo Chàvez de Chavelândia, os locais frequentados pelos os usuários de crack de Cracolândia nada me impede de chamá-los de Zerolândia. Zero Hora é uma Zerolândia.  Representantes deles vão à Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS) afirmam que o PRBS respeita os movimentos socias e ninguém diz nada. Ninguém faz uma pergunta jornalística. Por exemplo: um professor desta faculdade está sendo processado por um funcionário da firma. O que vocês podem dizer sobre isso? A resposta pouco importaria. Estes caras são super treinados para “dizer abobrinhas”. O Juiz, na audiência, perguntou que diferença eu faria entre o jornalismo feito por Caco Barcelos e o praticado por Tim Lopes, em seguida ao ter explicado que fotocampana não é fotojornalismo. Este depoimento está à disposição do público. Desconfio que para alguns setores possa ser uma boa pauta. Ou estou enganado? Os cartógrafos da firma, certamente, devem ter lido o depoimento. Eles monitoram nossos movimentos.

Sem nenhuma arrogância ou pretenção, assim como sem me considerar o dono da verdade, em um depoimento que durou quase três horas, dei uma grande aula de jornalismo. Incorporei uma entidade. Disse o que bem entendia. Um depoimento para a história. Disse inclusive, a outra parte não tinha alcance para entender, que independentemente de qualquer resultado, nas esferas da Justiça, eu continuarei sendo o o editor Wu com 40 anos de jornalismo, 45 de militância política e 20 como professor. E, sempre modestamente, posso dizer que em nenhum lugar onde desenvolvi alguma atividade  fui considerado tosco, burro. Enquanto esta questão não ficar resolvida sempre estarei dizendo alguma coisa. Mesmo considerando que os meus objetivos já foram alcançados. Gostaria ficar bem distante de tudo isto.

Depois se fará o silêncio. É história.

Nossos estiletes

“O  estilete usado para escrever volta-se contra as imagens que nós fizemos do e a partir do mundo objetivo. Ele volta-se contra qualquer zona do imaginário, do mágico e do ritual, que colocamos diante do mundo objetivo. Ele dilacera nossas representações do mundo para organizá-las de forma esfarrapada em linhas ordenadas, em conceitos que podem ser contados, narrados e criticados. O mito da criação do homem mostra o engajamento antimágico de todo escrever. Por isso, qualquer escrita é terrível por natureza: ela nos destitui do universo das imagens que, em nossa consciência anterior à escrita, deu sentindo ao mundo e  a nós.”

- Vilém Flusser

Achei esta referência aos estiletes. O jornal “Estadão”, recentemente, passou por uma reforma gráfica e editorial. Acabou, por exemplo, com o Caderno de Cultura das edições dominicais. Criou para a edição de sábado um caderno, equivalente, com o nome de “Sabático”. No último domingo (23.05), o jornal “Folha de São Paulo” apresentou sua edição, também, reformulada. Acabou com o Caderno Mais e, em seu lugar, apresentou o caderno “Ilustríssima”. Não custa lembrar que o primeiro Caderno Mais ( de 16 de fevereito de 1992)  tinha como capa e matéria central os Parangolés de Hélio Oiticica.

No primeiro “Sabático” tivemos uma bela entrevista com Umberto Eco. Existem indicativos de que a ideia editorial é a de manutenção de um caderno de cultura no seu sentido mais tradicional. O “Ilustríssima”, da Folha, parece apontar mais na direção de um caderno de variedades. A chamada de capa é “Cracolândia”. Uma matéria de três páginas  com ilustrações em xilogravuras. Uma texto de análise sem qualquer sentido de criminalização. E muito menos de “marquetim”. Vale destacar desta matéria  que em nosso país “… não há dados estatísticas que comprovem a perda de terreno da cocaína paras as drogas sintéticas. Nos Estados Unidos, porém, o consumo de cocaína chegou ao patamar mais baixo nos últimos 30 anos, segundo o National Institute of Drug Abuse.

A ocupação dos morros do Rio pelas UNIDADES DE POLÍCIA PACIFICADORA (UPPs) é um subproduto dessa perda de rentabilidade dos traficantes, segundo Cerqueira. A polícia entrou nos morros porque os  TRAFICANTES estão com menor PODER DE FOGO PARA REAGIR , e porque já não têm TANTOS RECURSOS PARA PAGAR PROPINA AOS POLICIAIS. Tudo é resultado da queda de rentabilidade da cocaína, de acordo com o pesquisador.

O fenômeno das milícias – grupo de policiais que atuam como segurança privada também tem ligação com a redução do lucro da cocaína, na visão do economista.” Segundo ele ”quando cai o volume da proprina dos policiais, eles saem em busca de novos negócios. As milícias são um desses empreendimentos.”

Não estamos afirmando que um jornal seja melhor do que outro. Mas, em algumas conjunturas e por razões diversas, freqüentemente, um deles passa a brigar menos com a notícia. Produzem matérias que não são destinadas aos cartógrafos do sistema. A matéria aponta para uma obviedade muitas vezes ocultada. O mercado de drogas funciona pelas leis do Deus Mercado.

O texto da “Folha” não foi produzido por um “repórter” contador de “causos”. Zerolândia conta “causos” e diz que é reportagem investigativa. Nunca será demais lembrar que a polícia paulista está matando em média uma pessoa por dia.

NOTA – o desenho da página ainda não está completo. Vamos postar vídeos, material fotográfico, sons e abrir links para matérias publicadas em oito anos da revista Pontodevista,  além da reedição de textos especiais, desse mesmo período, mas com o desenho atualizado. Aos poucos vamos adquirindo maior domínio sobre as novas ferramentas.

A IMAGEM
Da série grafismos. Filme Tri-X  Iso 400, nenhuma regulagem de velocidade ou abertura. Máquina actionsampler, de fabricação chinesa. Centro de Porto Alegre, Terminal de ônibus da Praça XV, proximidades do Mercado Público. Cada fotograma registra quatro quadros, com movimento no sentido anti-horário. No caso não havia movimento. Ou  a movimentação foi mínima. Clicando na imagem ela ficará ampliada