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DERIVA

O clima já é de DERIVA de feriadão. É possível que até o final da tarde faça algum tipo de registro. Com a reorganização da biblioteca e do acervo de jornais e revistas foi impossível deixar alguma coisa adiantada de ontem pra hoje.

UM OLHAR COMPARATIVO
  Exemplar da revistão Visão, edição de 19 de junho de 1959 com uma matéria avaliando os 14 anos após o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. Exemplar, certamente, comprado em algum sebo. Em uma outra postagem pretendo contar um pouca da história desta importante revista e que é muito pouco lembra. Devo ter em uma ou duas caixas cerca uns cem exemplaras da Visão. Sou do tempo que JORNALISTA tinha mania de colecionar papel.
  Revista Veja, edição de 2 de agosto de 1995, com chamada de capa para “Hiroshima – 50 anos depois – Os sobreviventes lembram o dia do apocalipse”.
        Estou (re)descobrindo verdadeiras preciosidades em cada caixa que abro, o que vai me permitir melhorar em muito as aulas dos próximos semestres. Com grande satisfação vou proporcionar aos meus alunos muitas pistas, dicas, roteiros e possibilidades. A comparação destas duas revistas com o tema da Bomba Atômica, em princípio, poderia render uma monografia de conclusão de curso.

ATENÇÃO – a partir DAQUI uma edição da revista eletrônica PONTODEVISTA resgatando matérias editadas de 2002 a 2009, quando começa a ação de censura.

VELHO CHICO


Oi Ungaretti! Tava vendo o teu blog e as postagens dessa semana, com algumas referências a fotojornalismo, e não posso deixar de te relatar um momento muito bonito que vivenciei quarta-feira. Se pudesse te contava pessoalmente, mas vai assim mesmo. Voltei ontem de viagem, fui segunda-feira a Juazeiro da Bahia cobrir o Encontro Nacional da Articulação do Semiárido, que levou gente de todos os estados com esse clima – agricultores, pescadores, educadores, só gente que lida diretamente com a terra e com lutas sociais. Na quarta, meu grupo foi fazer uma visita à comunidade tradicional de Ferrete, em Curaça, município vizinho a Juazeiro, que pode ser removida por causa da construção de duas barragens ali no Rio São Francisco. Lá pelas tantas fomos até a margem do rio, conhecer um pouco do local, e eu pedi a um integrante do MAB para me indicar alguns ribeirinhos com quem conversar. Então me apresentaram uma senhora que lavava roupas ali no rio mesmo. Ela estava muito envergonhada de falar com um jornalista, dava pra perceber, e escondia o rosto toda hora. Mas falamos, uma simpatia de pessoa. Enquanto isso, um fotógrafo tirava fotos dela ali, na sua atividade. Agradeci, dei tchau pra ela e fiquei ali por perto com o resto do pessoal. Antes de sairmos da margem do rio ela me chamou, bem discretamente com a mão, e perguntou se teria como ver a imagem que o Luca (fotógrafo do encontro) tirou dela. Com muito gosto ele mostrou a foto pra ela, e a gente brincou, perguntando se ela tinha gostado e tal, caso contrário ele tiraria outra. No mesmo momento chegou outra senhora para lavar roupa, e ficaram as duas ali brincando com a história das fotos. Foi um momento muito simples, mas me deixou muito emocionada estar com aquelas pessoas e principalmente com aquela senhora com quem conversei. Foi uma honra tão grande falar com ela com o barulho do Rio Sao Francisco que tu nem imagina. Foi muito bonito. Acho que eu nunca me senti tão jornalista como ali, e parece que passei a entender um monte de coisas também. Voltei muito renovada da viagem, parece que eu cresci uns dez anos com ela. Eu andava tão de saco cheio da burocracia e dos burocratas de sempre que foi uma inspiração sem tamanho. Em anexo te mando umas fotos do que descrevi acima. Abraços fraternos sempre, da ex-aluna.
 
As fotos são de Luca. Quando recebo um e-mail como este não só me emociono, mas me renovo para estar em sala de aula procurando por novos JORNALISTAS, subversivos. Esta é outra que não passou nem pela porta de uma empresa da mídia corporativa. Está na lista dos 30 melhores alunos que não trabalharam na RBS.Tem o DNA da profissão. 

1927/2010
   Tenho esta edição desde 1973. Armando Nogueira, poesia. Minha geração começava no jornalismo passando pelas editorias de esporte e polícia. Este livro foi mais uma descoberta proporcionada por Marcos Faerman, o Marcão. Poesia da bola com gomos pretos e brancos ou das pernas tortas de Mané Garrincha. Seus textos são pura emoção. Jornalismo esportivo já foi assim. No horizonte utópico de todos nós, na década de 70, jovens sonhadores com a prática do jornalismo, Armando Nogueira sempre foi referência. Seu comprometimento com os interesses da Globo e conivência com atos da ditadura já foi amplamento criticado.
        Obrigado por tantos devaneios, poéticos. Obrigado! 
         

EXEMPLO DE LIXO SHOWRNALÍSTICO


Crakolândia, Chavelândia,  MSTlândia. Estas são expressões usadas pelo jornal Zero Hora. Pois Zerolândia – jornal ZERO HORA – edição dominical (28.03.2010), ”lembrando” a proximidade do mês de abril, período em que nos últimos anos o MST realiza manifestações, ”lembrou” a oportunidade “jornalística” de publicar esta ”matéria de gaveta”. O entrevistado é o procurador Justiça do Estado Gilberto Thums. Não vamos reproduzir trechos desta preciosidade, tanto em termos de perguntas como de respostas. A ”matéria” é do Carlos Wagner, conhecido na categoria pelo apelido de Causowagner. Apelido que não foi inventado por nós. Vale lembrar, sempre, que não existe não meu histórico pessoal, profissional e político um único caso dessa prática de dar apelidos.
       Juro que gostaria de ficar afastado deste tipo de postagem. Tenho me esforçado. Mas às vezes o descaramento é demais. Se não posso comentar algumas matérias e fotos prefiro o silêncio.


Jornal ”Folha de São Paulo”, edição de 21.12.2009, pág.A14 com o entevistado Marcelo Goulart, promotor que atua desde 1985 na região de Ribeirão Preto (SP). É considerado um símbolo da corrente dos promotores que acreditam ser “agentes políticos” e que se definem como contrários a elite do país.
        Esta é uma figura singular. Sim, daí a singularidade jornalística da entrevista. Não é uma “matéria de gaveta”. Não estamos dizendo que um jornal seja melhor do que o outro.

FOLHA – o senhor é conhecido por atuar ao lado do MST e de entidades ambientais. Esse é o papel do promotor?
MARCELO GOULART – A visão do Ministério Público como mero agente processual está superada desde a promulgação da Constituição de 1988. O membro do Ministério Público é agente político e, hoje, tem a incumbência constitucional de defender o regime democrático e implementar a estratégia institucional de construir uma sociedade livre, justa e solidária.
FOLHA – Não há o risco de se aproximar demais de entidades das quais deveria manter distância?
GOULART – Os membros do Ministério Público têm clareza do seu papel social, dos limites de suas funções e do uso do instrumento jurídico  de que dispõem. Assim, a aproximação entre Ministério Público e as forças progressistas da sociedade torna-se inevitável e necessária. É um bem, não é um mal.
FOLHA – Como o senhor o sr. distinque as entidades progressistas das outras?
GOULART – As forças sociais democráticas são aquelas que assumem o compromisso de implementar um projeto democrático da Constituição de 1988. A Constituição definiu para o país um modelo de Estado social e de democracia participativa. Os sujeitos políticos que atuam na defesa desse projeto são aliados naturais do Ministério Público na luta pela construção da hegemonia democrática. Não é difícil indentificá-los.
FOLHA – Por que os produtores rurais não seriam progressistas?
GOULART – Aqueles grupos que defendem um modelo de agricultura social e ambientalmente sustentáveis estão no campo democrático. Aqueles que, ao contrário, defendem um modelo que leva ao descumprimento da função social do imóvel rural estão no campo dos adversários do projeto democrático da Constituição da República. Esses defendem o padrão de produção agrícola hoje prevalecente no Brasil.
FOLHA – Que padrão é esse?
GOULART – O padrão que gera concentração fundiária, que utiliza de forma inadequada os recursos naturais e que degrada o ambiente por ser baseado na monocultura  e na agroquímica. É um padrão concentrador da propriedade, da renda, da riqueza e do poder político. Por isso, contraria o projeto de Constituição.”

O “melhor” do jornalismo do gauchismo é um lixo. JORNALISTA trabalha, sempre, com noções de comparação. Comparem as duas matérias em todos os aspectos. Começando pela escolha do entrevistado. Aparelhos e representantes destas estruturas em posição de repressão não é novidade. Singularidade jormalística é a matéria da “Folha”. O repórter fez todas as perguntas jornalísticas. O do gauchismo colocou todas as “perguntas” na marca do pênalti. Foi para o gol e ficou de costas. É uma pena que sou muito pouco lido por estes carinhas. Poderiam aprender alguma coisa com a entrevista da “Folha”.

“FOLHA – Como o sr. definiria uma propriedade rural que não cumpre sua função social?
GOULART – A improdutiva, a que utiliza de forma inadequada os recursos naturais, degrada o ambiente e impõe condições sub-humanas de trabalho.
FOLHA – Uma área produtiva que não se curve à sua definição de função social pode ser desapropriada?
GOULART – Minha definição, não. A da Constituição. Juridicamente, pode. Agora, tem muita propriedade antes dessa para ser desapropriada. Tem que começar pelos casos mais graves.
FOLHA – O senhor parece não gostar de grandes proprietários rurais?
GOULART – No meu horizonte utópico não está presente um grande número de usina de açucar e álcool, por exemplo. No meu horizonte utópico estão a policultura, a geração de postos de trabalho no campo e a agricultura orgânica. Está o acesso do povo à terra, que é um direito fundamental negado desde o descobrimento. A estrutura fundiária brasileira é uma das principais razões de nosso subdesenvolvimento.”

ZERO HORA é lixo. Estou dizendo isso com 40 anos de profissão, quase 20 como professor de jornalismo na FABICO da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).  E com 45 anos de militância política. Não gosto de me apresentar desta forma. Estou sendo obrigado. Sonho em ser um porra-louca anônimo.
       Um militante do nada. Tenho o prazer jornalístico da crítica. Palavras e fotos como estiletes, sempre. Zensentido. Os ISMOS estão enterrados. E no meu horizonte utópico, viva a anarquia!

NOSSOS OLHARES


Veja AQUI. A partir deste ponto, são muitas as possibilidades de navegação. Fotos louquíssimas. Estranhezas. Sem quaisquer considerações de caráter técnico ou que envolvam a discussão da utilização de recursos de produção, algumas imagens impressionam pela carga de subjetividades sugeridas ou possíveis. E que tocam “o olhar”, pelo menos assim imaginamos, de formas diversas. Em DERIVAS de moto, em algumas regiões do Estado (RS), impressiona o número de animais da fauna nativa mortos. A navegação por estes sites e blogs – de material fotográfico – também aponta para o fato de que podemos produzir imagens incríveis com pouquíssimos recursos de produção. Não nos damos conta do fato de que um universo de imagens hegemônicas (produtos da mídia corporativa) determinam e condicionam nossos olhares. E não só no plano do fotojornalismo. Nesse sentido a Internet, anarquicamente, possibilita o desconcerto. Provoca verdadeiros ruídos. Falar sobre uma imagem descrevendo a própria imagem é uma obviedade. Tentar pensar ou traduzir em palavras as subjetividades sugeridas é um instigante exercício para o JORNALISTA. É verdade que sempre corremos o risco, também, de dizermos obviedades, justamente por estarmos “olhando” subjetividades. Mas pelo menos é uma tentativa de tradução do nosso olhar. Imaginamos e refletimos.

ANOTAÇÕES – estou encerrando a terceira semana em sala de aula. Libertariamente, de forma nada professoral, disparo uma carga de energia para  o estabelecimento de relações que deverão possibilitar a produção de dois jornais e uma revista com o máximo de qualidade. Quero a alma dos que estão afim de JORNALISMO. Não vou ensinar nada. Não vou facilitar nenhum caminho. Só vou fornecer as pistas, alguns roteiros, algumas possibilidades. Só aprendemos o que descobrimos. Assim, faço a diferença e construo a singularidade. Quase 20 anos depois de ter iniciado a atividade de “professor” sou o mesmo e sou um outro. Um exercício de resistência. Como jornalista estou “professor”.
       Não sou responsável pela destruição da carreira de ninguém. Cada um de nós faz suas respectivas escolhas. Tenho contribuído, modestamente, para a formação de alguns bons jovens jornalistas. Repito que fazendo, na ponta do lápis, uma relação dos 30 melhores alunos, pelos meus critérios evidentemente, nenhum deles passou pela redação de Zero Hora. No máximo meia dúzia de exceções. Tenho uma biografia do bem. As punições que me são impostas pelo sistema são previsíveis diante do que digo, penso e faço. São as regras do jogo. Não tenho nada a reclamar da vida.
         Vivo zensentido. No fluxo cósmico. Na mais absoluta plenitude da minha idade.