ponto de vista

sonoridades

arquivo »

vídeos e fotos

  • jornais A
  • Jornais B
  • Jornais C
  • Jornais D

GRAÇAS AOS BONS DEUSES

        Graças aos bons deuses não sou obrigado a fotografar, contrariado e burocraticamente. Os fotógrafos da mídia corporativa sabem do que estou falando.  
        Não tenho o que reclamar da vida. Sempre gostei de gente. Jornalista é um apaixonado por histórias. Por se relacionar com pessoas. Por singularidades. Antes de escrever é preciso saber escutar. Daí a subversão. Quando vivo situações como esta sinto que sou apaixonado pela profissão. Pela vida. Não consigo controlar a curiosidade. Fico emocionado.

O casal Adriane e Lino com a filha Nicole de dois anos. Adriane tem uma lesão de medula e Lino uma doença muscular.
 
Adriane e Nicole, mãe e filha em relação de inteiro afeto. Em alguns momentos Nicole mamou no peito. Elas estavam lindas. Alegres.
 
Adriane cuida da filha e da casa. Lino é um Dijei. Estava trabalhando em casas do Rio de Janeiro. Não tinha como o bar não parar para olhar a harmonia dos três. Este detalhe era que chamava a atenção. Foram super atenciosos comigo. O Dijei Lino estava feliz.
       Tive um lição de vida por estas imagens. Fotojornalismo não é cenografia. É uma pena que algo tão visceral toque a alma de tão poucos. Vou dar aula de quê? 
       Jornalismo está na alma encantada das ruas. Com tempo e treino, sem jamais perder a sensibilidade e a humildade, um dia ainda vou conseguir ser um anarcojornalista.  

BONS, COMPORTADOS E PUROS, ANJINHOS

        Diante do blábláblá… tenho 35 anos de RBS (PartidoRBS)… blábláblá tenho 18 anos… blábláblá só tenho bons e comportados colegas cai como uma luva A LIÇÃO RBS, de Eliane Tavares. Quando por lá passei (Rádio Gaúcha e Zero Hora) nunca morri de amores. Ao ser mandado embora não ficou mágoas. Era o que eu queria. Pertenci a uma redação, cuja camada intermediária era de esquerda, velhos militantes como Aveline, Pila, Antonio Oliveira, Matzenbacher, Figueiredo, Bastos e tantos outros. Mais os malucos beleza. Começo no jornalismo pelas mãos de Marcos Faerman, o Marcão. Quando saí da cadeia fui trabalhar na velha rádio Continental. Aprendi muito com todos eles. Sou um privilegiado. Por concurso público me tornei um professor de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Um pouco como brigadeira e um pouco como verdade digo que foi um descuido do sistema. Ideia que não é minha. Foi expressa por alunos. Não tenho o que reclamar da vida. Não tenho mais nenhuma relação com qualquer uma das pontas da atual rede de conivências corporativas. Não tenho mais nada a dizer em cursinhos técnicos de comunicologia. Estou cansado até deste espaço. Meus objetivos já foram alcançados.
       Sonho, e algum dia espero realizar novas atividades como jornalista e professor. Estarei mobilizado e com tesão, pela milésima vez, quando estiver a serviço dos marginais, dos que estão à margem em um projeto de jornalismo popular. Na atual etapa falta paixão. E sem ela não existe a mínima possibilidade do fazer jornalismo. Não existe intensidade.
       Correu tudo bem na audiência.  Não tenho ilusões. Fui criado escutando de meus pais que a Justiça é uma justiça de classe. Dependendo dos interesses (da conjuntura) em jogo posso me sair bem como posso me fuder. Sempre foi assim. Em situação extrema, em plena ditadura, passei uma temporada na cadeia.
       “E depois de tudo, céu e terra aí estão, como se nada tivesse acontecido. A esta altura, a vida e as ações de um homem têm o peso de uma folha seca no meio da ventania… Ora, que vá tudo para inferno!”
        Estou Zen.

A LIÇÃO RBS
(um belo depoimento para ser lido com atenção)

       Eu tinha pouco mais de 20 anos quando comecei a trabalhar na televisão. Era uma empresa da RBS em Caxias do Sul. Encantada com o mundo do jornalismo, o qual eu perseguia desde menina, “vestir a camisa” da empresa me parecia a coisa mais certa a fazer. O trabalho passou a ser minha própria vida. Não havia separação. E era comum fazer milhares de horas extras sem ganhar nada, trabalhar nos finais de semana, feriados. Eu amava o Otaviano, meu chefe direto, que era um competente jornalista e me ensinou quase tudo o que eu sei, tinha profundo carinho pelo diretor da TV, o seu Ênio e atuava com companheiros do mais alto gabarito, seja no nível da reportagem (Britto Jr) ou da imagem (Vaderlei, Dino, Luis). Não via qualquer contradição entre capital X trabalho. Era uma alegre e bem comportada funcionária da RBS. Até que um dia, e própria empresa me deu uma lição que jamais pude esquecer.
       Dentre os trabalhadores da rede, havia um por quem eu tinha muita ternura. Não vou aqui dizer o seu nome, mas ele atuava na área da engenharia. Era um pouco assim como eu. A empresa era sua primeira pele. Tudo fazia por ela e os colegas diziam que ele tinha trabalhado com Maurício (o criador da RBS) desde os tempos de Passo Fundo. Amava a RBS mais que a si mesmo, mas era totalmente puxa-saco. Como ele vinha muito à Caxias a gente sempre conversava muito e eu, espevitada, me irritava um pouco com aquilo. A gente brigava.
       Naqueles dias de 1983 eu já incursionava pelas reuniões de sindicato da cidade, por conta das reportagens e admirava uma mulher, presidente do sindicato dos gráficos, que iniciava a construção do Partido dos Trabalhadores por lá. Foi quando comecei a me enredar nestas coisas da política e a perceber que as empresas capitalistas existem para sugar o sangue dos trabalhadores. Comecei a observar melhor minha relação com a RBS. Entrei para o sindicato dos radialistas e passei a exercer a função de delegada sindical. Tudo mudou pra mim e nas conversas que eu tinha com esse amigo, ele me dizia: “Olha, tu deixa isso pra lá, tu vai te queimar. A empresa te dá um pé na bunda. Larga de política e vai trabalhar”. Óbvio que não larguei, ao contrário, e quem me incentivou a mergulhar nisso foi a própria RBS.
       Ocorre que esse meu amigo estava para se aposentar. Ele fazia planos, mas sofria por se saber fora daquele lugar que era a sua vida. E a gente falava muito sobre isso. Então, um dia, sem mais, nem porquê, nos chegou a notícia: o companheiro havia sido demitido. Tinha mais de 25 anos na empresa, a um passo da aposentadoria. Ficou sem eira nem beira, no chão. A RBS era seu mundo. Estava acabado. Cheguei a vê-lo meses depois, um homem arruinado. Então, na aurora do despertar da minha consciência de classe eu percebi: quando a gente vende a força de trabalho para uma empresa capitalista, duas coisas podem acontecer.
1 – Tu luta, e é demitido.
2 – Tu não luta, se esforça, defende e ama a empresa, e é demitido também.
       A empresa me ensinou. Nunca mais tive dúvidas. E desde então, onde quer que vá, estou sempre na luta, no sindicato, nos movimentos. Porque o sistema que nos oprime não tem compaixão. O grande jornalista José Martí já educava. Melhor morrer de pé que viver ajoelhado.
       No último mês de janeiro deste 2010 vários companheiros jornalistas desta mesma empresa foram demitidos. Muitos deles com mais de 15 anos de casa. Gente que deu seu sangue, sua vida pela RBS. Foram mandados embora assim, sem mais, nem menos. Talvez a empresa os considere velhos, sem criatividade e afinal, há um exército de meninos e meninas à espreita, esperando uma vaga na prima-irmã da platinada. Estes companheiros e companheiras fizeram tudo certinho, trabalharam com afinco e dedicação, raros se meteram em lutas laborais. E esta é paga. Eu aqui me solidarizo com estes companheiros, por quem tenho profundo respeito e admiração. Posso imaginar a dor e a perplexidade, assim como senti naquele longínquo amigo.
      Então escrevo essas linhas, para lembrar aos jovens esta triste lição: o trabalho duro e comprometido junto às empresas capitalistas não nos garante qualquer compaixão. Neste sistema perverso só a luta coletiva nos leva a conquistas de vida digna. Só a luta solidária nos aproxima e nos irmana na busca de um mundo novo. Estarmos juntos e em comunhão é nossa única opção contra a rapina do capital!

de Elaine Tavares em PALAVRAS INSURGENTES

Ideias e práticas como esta constroem a verdadeira democracia. VISITE AQUI.

@@@@@@@@@@  no corre do dia vou revisar. Estou atrasado para uma Deriva.

@@@@@@@@@@ Quero agradecer publicamente às pessoas que serviram de testemunhas. Aos jornalistas André Oliveira, do Coletivo Catarse; Adriano, do Celeuma; e ao Miguel Stedile, historiador e integrante do setor de comunicação da Via Campesina.  

LOMOGRAPHY


LOMOGRAPHY – com máquina Diana F+, filme 120mm, Fujicolor asa 400, foco de 1 a 2 metros, abertura para “sol”, negativo 6×6 “escaneado”, sem nenhuma manipulação, corte na parte inferior. Usado flash com película azul. Lancheria do Parque, a Lanchera, do bairro Bom Fim, em Porto Alegre. Público variado e comida boa e com preço bom.
 

OBVIEDADES DO SHOWRNALISMO

LOMOGRAFHY – com máquina Diana F+, filme 120mm, Fujicolor asa400, foco em infinito, abertura para “sol”, negativo 6×6 “escaneado”, nenhuma manipulação com corte na parte inferior. Tarde de verão com alta luminosidade, avenida Independência, proximidades do centro de PA. Sentido centro/bairro.
 
Enquanto simples impressão, a fotografia impõe uma ação corporal (física) do fotógrafo no decorrer do fato, enquanto máquina munida de propriedade singular (uma LOMO é pura singularidade) de fixar um instante preciso (luz, movimento), ela descarrega a duração do presente vivido num instante perfeitamente delimitado: um presente abstrato, sem densidade, da captação, com a atualização do disparo repentino, brevíssimo, e às vezes barulhento do obturador (no caso da Lomo muito barulhento).
       Mas, segundo alguns teórios, existe uma outra temporalidade, diversa, a “do disparo mecânico, que contrai infinitamente o presente vivido e durável do operador em um presente indivisível: um ponto infinitesimal do tempo”. O resultado em Lomo é sempre próximo das imagens de um sonho. 
       Aqui, uma fusão de ideias resultante de muitas e confusas leituras. Não consigo abandonar o hábito de pensar, criticamente. Não consigo pensar o jornalismo sem a crítica. Dizer o óbvio de uma foto é o óbvio. No showrnalismo, é claro. “Fotocampana” e “fotocascata” não é fotojornalismo. A primeira é uma atividade policialesca. É cartografia à serviço dos aparelhos repressivos. E a segunda é cenografia, cujo objetivo é criar e fortalecer subjetividades reacionárias. Estamos partindo da suposição de que posso fazer esta afirmação com 40 anos de jornalismo, quase 20 como professor da UFRGS e uns 45 como militante político, dois dos quais na cadeia. Não gosto de me apresentar assim. Estou sendo obrigado pelas circunstâncias. Não decorre desta biografia a pretensão de ser o dono da verdade. Nem quando jovem tive esta necessidade. É indicativo, apenas, da ilimitada vontade de lutar por liberdade de expressão. Nunca sonhei com o poder. Nossos objetivos já foram alcançados, pelo menos provisoriamente. Seria ingenuidade, por outro lado, acreditarmos que tais práticas tenham sido definitivamente abandonadas. Os processos de manipulação se alternam com períodos de busca da “credibilidade”. Todos os que estão vinculados à rede de conivências corporativas entendem o que estamos falando. Não são burros e nem ingênuos. São só Bundões, a espécie que mais prolifera no jornalismo desses tempos. Todos diplomados.       
       Insisto:   “Anarquista é o observador que vê o que vê e não o que se vê habitualmente. Ele reflete a respeito”, de Paul Valéry. Nos tempos atuais acredito que é possível mudar o mundo sem tomar o poder. Uma idéia zapatista.
        Sonho em incorporar o espírito de um Tarso de Castro e conseguir ser visceralmente ácido, fazendo das palavras estiletes perfurantes de almas. Gosto de brigar por ideias. É um vício. E tenho outros.

************* mais uma vez, sem o sentido da formalidade e da simples educação, agradeço a todos que manifestam solidariedade. Sei que conto com os “fluídos do bem” dos que exercem com dignidade o JORNALISMO.