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OUTROS OLHARES


Chalé da Praça XV

Mercado Público de PA

Largo Glênio Peres

Pinhole, filme Ilford Plus 400,
máquina lomography Diana F+,
filme 120mm, negativo 6×6,
tempo de exposição de
dois e três segundos,
escaneado, sem manipulação
digital. Foi usado tripé.
Outubro de 2009. Fotos Wu.

 

É TUDO OU NADA

         É tudo ou nada. É Baader Meinhof. E, no entanto, paradoxalmente, sou cada vez mais pela troca de idéias. Pelo estabelecimento de consensos que reflitam a correlação de forças. Não existe jornalismo e ensino sem crítica. Este é um direito. Levamos algumas porradas para chegarmos até aqui. Como militante, jornalista e professor.
        Não aconteceu a audiência. Pela segunda vez, uma testemunha do autor das ações, a jornalista Adriana Irion, também do PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicações), não compareceu. A audiência foi transferida para o dia 24 de fevereiro de 2010. Assim, continuamos submetidos a uma multa diária de 150 reais se realizarmos quaisquer comentários que tenham como elemento de análise material do autor das ações. Estamos submetidos à censura. Existe, concretamente, uma determinação do que pode ou não ser comentado em Zero Hora (Zerolândia). O nome desta prática é censura, sim. A rede de conivências corporativas continuará em silêncio. Está assistindo, de camarote e confortavelmente.
        Fomos comunicados que o mesmo funcionário da firma (PRBS) está movendo uma terceira ação cívil contra nós. Com um outro advogado. O escritório de Carlos Araújo & Vecchio deverá examinar a questão, nos próximos dias, e adotar as providências. Considerando a existência destas três ações e o tempo de duração, em função de todos os recursos que ambas as partes poderão fazer uso, estamos estudando a possibilidade de suspendermos – definitivamente – todas as nossas atividades, tanto no site como no blog. Não temos a intenção de continuarmos trabalhando sob pressão. Estamos discutindo a questão com as pessoas mais próximas. Nunca é demais lembramos que as ações não são movidas por um jornalista “das antigas”, sem diploma. Ou por um jovem ex-aluno, diplomado. O cara é uma cria da casa. Um funcionário de carreira com 35 anos na mesma firma. Quem deve assumir a responsabilidade pela formação que foi dada a este “profissional”? Quem?  QUEM? Até mesmo nessa questão a RBS não é isenta. Ela (a firma) é, indiretamente, responsável pela truculência das ações. O discurso pode ser qualquer um.       
      O sentimento não é de derrota. Pelo contrário, acreditem. O sentimento é de vitória. Mesmo considerando toda a incomodação e possíveis prejuízos. Alguns de nossos objetivos  foram, claramente, alcançados. CASCATA NUNCA MAIS funcionará sempre. É um importante alerta que lançamos. Tornamos público (Internet) algo que ficava nas rodinhas da categoria. E até mesmo nos corredores do Sindicato. Temos absoluta certeza de que os verdadeiros FOTÓGRAFOS, aqueles que são comprometidos com o jornalismo, estão agradecidos. Outros farão a crítica que realizávamos. Continuaremos à disposição para a formação de novos guerrilheiros.
        Por último, sugerimos que a Associação Riograndense de Imprensa, Sindicato e cursos de comunicologia criem , com amplo apoio da mídia corporativa, uma nova categoria para a próxima edição do Prêmio ARI-Gó. Para a melhor “foto cascatinha”. Ou “jovem cascatinha”. Poderemos, assim, continuarmos o treinamento de novos críticos.
        Serei incansável na disposição de agradecer ao fraterno e estimilante convívio com os jovens JORNALISTAS. Agradeço aos que me proporcionam este insubstituível alimento, feito de sonhos;  e que recebo em cada (re)encontro.
         JORNALISMO É SUBVERSÃO. Luta de classes, sempre. Olho no olho de qualquer tipo de profissional. Temos prazer nessa prática. Pela emoção em olhares transparentes. Ou pelo constrangimento que causa. 
        Nesse transe nossa lucidez.

SAUDAÇÕES

       No dia de mais uma audiência no processo que é movido contra nós, queremos deixar apenas este registro. “Fotocascata” é cenografia. “Fotocampama” é atividade policialesca. Esta duas práticas são contrárias ao FOTOJORNALISMO. É assim que pensamos. Pouco importa o resultado final de toda esta história. Esta é uma boa incomodação, assim como foi a cadeia resultante da luta contra a ditadura;  ou a Comissão de Inquérito pela manifestação contrária à punição de alunos de “comunicologia”. Com este histórico só posso me considerar uma pessoa privilegiada. Na atualidade sonho com minha aposentadoria. Não tenho, também, nenhuma relação com a rede de conivências corporativas. Queremos distância do espetáculo. Existem coisas muito mais importantes na vida do que ficar discursando dentro da academia. Este deixou de ser o espaço de reflexão crítica. Ou ficar escrevendo para ser lido por corrompidas marionetes. Sim, pelos que acreditam que o centro do mundo está nas redações dos atuais jornais, estruturas higienizadoras. Sem a força dos movimentos sociais, organizados, nada será alterado. A produção de bens simbólicos, de subjetividades reacionárias é de proporções avassaladoras. Agradeço a todos os alunos que souberam tirar de mim o melhor, valorizando minha paixão pela profissão. Reafirmamos que temos um lado. Sou gauche. Jornalismo é subversão.      
       E além disso, volto a insistir na ideia de que “depois de tudo, céu e terra aí estão, como se nada tivesse acontecido. A essa altura, a vida e as ações de um homem têm o peso de uma folha seca no meio da ventania… Ora, que vá tudo para o inferno!”
       Saudações, esquerdizantes! 

AS TRILHAS DO FOTOJORNALISMO


        Mais uma vez o jornal “Estadão” abre uma página para a atividade de fotojornalismo. O Caderno de Cultura, edição do último domingo, apresenta e comenta o trabalho do fotógrafo Araquém Alcântara que percorre a região de Canudos registrando as tranformações do cenário, tema do clássico Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha. O levantamento resultará no livro Sertão SemFim.
       Certamente, o fotógrafo Araquém Alcântara não percorre a região para produzir “cascatas”. Seria um contra-senso. Os verdadeiros fotógrafos resistem ao avanço da perfumaria. Registro de passarinho caindo de árvore é ridículo. 

        “Ao vaguear pela superfície, o olhar vai estabelecendo relações temporais entre os elementos da imagem: um elemento é visto após o outro. O olhar reconstitui a dimenção do tempo. O vaguear do olhar é circular: tende a voltar para contemplar elementos já vistos. Assim o ‘antes’ torna-se ‘depois’, e o ‘depois’ torna-se antes. O tempo projectado pelo olhar sobre a imagem é o do eterno retorno.” (de Vilém Flusser)