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FUZILAMENTO


Fuzilamento em 1919. Foto do mexicano Augutín Casasola. Nenhum indicativo de uma “fotocampana” ou de uma ”cascata”. Quantos prêmios ganhou este fotógrafo? Nenhum. 

Foto de 1914. Augustín Casasola foi criador de uma agência, cujo acervo passou a ser conhecido como “Archivo Casasola”. Edward Weston e Tina Modotti, assim como os muralistas, eram admiradores da obra deste fotógrafo. Não consegui maiores elementos sobre estas duas fotos. O que se sabe é que a história da fotografia no México começou quase ao mesmo tempo que no restante do mundo. A pesquisa no Google fica por cada de vocês.
       Viva Zapata e os zapatistas

RETRATISTA DA POBREZA


Revista CartaCapital, edição desta semana, páginas 76,77 e 78. Walker Evans sempre fotografou de curta distância. Já tínhamos feito um registro sobre a publicação desta matéria, mas – resolvemos repetir – após termos feito a foto abaixo.

                                                                           foto Wu

Segunda-feira, 28.09.2009, fim de tarde, viaduto da Borges de Medeiros, centro de Porto Alegre. O casal Alcedo e Márcia, com o filho Tiago, de dois anos, moravam na vila dos Papeleiros. Ele acabou de sair da cadeia. Foi preso por não comparecer a uma audiência em um processo por furto de um cavalo. Ela abandonou a vila sem saber o que tinha acontecido com o marido. O reencontro aconteceu no sábado. Estão morando no viaduto, provisoriamente. Ele diz que está “muito doente do pulmão” e, de fato, passou todo o tempo tossindo e com dificuldade para falar. Esperamos que a foto não funcione como elemento cartográfico para os aparelhos higienizadores do Estado. Já que não temos um Estado previdenciário que se faça presente algum aparelho do sistema de assistência social. São três brasileiros, no abandono, entre muitos outros que localizamos morando no mesmo viaduto.

História visual dos que estão à margem

olhei
este rosto
rugas
emocionado
pensei tornar
esta pessoa
eterna
por uma foto
 
Isabel mora na rua. Busca pão velho todos os dias no Mercado Público de Porto Alegre.

Fotografei este rosto, também, com filme PB Tri-X 400 asas, máquina Pentax toda mecânica com lente 35-80. Todas as fotos foram feitas com menos de um metro de distância. E sempre dialogando. Roubar esta imagem seria um ato de covardia. Sim, covardia diante de tanta fragilidade.

Ela disse que nunca teve uma foto sua. Ao perguntar a sua idade obtive uma resposta seca: tenho 18 anos. Agradeci várias vezes a oportunidade que me foi dada. E por razões da alma me senti muito triste ao me despedir. Sei que, assim, vou construindo uma história visual do meu país. A história visual dos marginais, dos que estão à margem.  Grande parte dos “showtógrafos” atuais, com raríssimas exceções, escondem esse comportamento covarde  (roubar fotos) atrás de grandes lentes e de muita arrogância. Sem falarmos no estrelismo.
       Na atualidade, sempre com modéstia e nenhum traço de arrogância de se achar o dono de toda a verdade, trabalhamos para colocar em evidência a pobreza criminosa das imagens produzidas pela mídia corporativa. Com a conivência passiva dos fotógrafos. Dos que procuram cumprir a pauta de fotografarem, apenas, gente jovem e bonita. Estes irão para o lixo da futura história do fotojornalismo.

(estas fotos foram produzidas na última quinta-feira – 24.09.2009 - quando pela postagem “marginalidade” me foi sugerido não fotografar, pois que o dia já estava “ganho”) 

Flanando pelos “sebos” da cidade, atividade que realizo uma vez por semana, localizei o livro “Arquitetura do tempo -fotografias”, de André Gardenberg com trabalhos expostos no Museu da Imagem e do Som de São Paulo no final de 2004. André é baiano, mas mora no Rio de Janeiro desde 1973. Formado em jornalismo especializou-se em fotos de esportes e artes cênicas. Este livro marca sua estréia num trabalho autoral.
  Descobri o livro “Arquitetura do tempo” um dia após fazer as fotos de Isabel. Sobre o trabalho de André, o jornalista Zuenir Ventura diz  que “o fotógrafo vai fundo na  contramão do obsessivo narcisismo dos tempos atuais (…) espécie de angústia do nosso tempo, um vazio existencial em consequêcia da busca incessante e desesperada de ‘melhorar’ a aparência, de fazer da beleza fabricada um ideal de felicidade”. O fotógafo diz que “nossa sociedade não vê as rugas com bons olhos” e que ele não só “as vê com muito bons olhos, como as registra com um atento olhar de compreensão…”
       Foi um pouco marcado por esta ideia que fotografei Isabel. Rugas, “arquitetura do tempo” de uma vida sofrida. O ”fotojornalismo” atual é uma sofisticada consagração da perfumaria. Produção de bens simbólicos que transformam leitores em pessoas comportadas e felizes, na busca de sujetividades alienadoras.
         Miroslav Tichý tinha por objetivo fazer cerca de 100 fotos por dia. Faz muito tempo que pontodevista produz uma média de 50 fotos por dia. É evidente que não tem nenhum sentido comparativo. Trabalhamos como um operário. Miroslav é gênio.
          JORNALISMO é subversão. Assim, começo a semana. Para não perder o treino. ”Os jornais e os jornalistas são arrogantes”, sim. Principalmente onde não existe concorrência; e, grande parte de tudo que se faz é jogo de cena para alienar os leitores. Confundir subservência com falsa humildade é desonestidade. Ou, no mínimo, uma brutal ingenuidade.

Poderíamos
dizer
muito mais
mas          
estamos sob 
CENSURA 

É IMPORTANTE A LEITURA DE DOIS TEXTOS PUBLICADOS POR CARTACAPITAL SOBRE FOTOJORNALISMO

1. ÊXTASE E AGONIA
O anacronismo do modelo de negócios do fotojornalismo é o assunto da coluna de Thomaz Word Jr. (pág.72). Ele cita três mudanças, em desenvolvimento há duas décadas, que provocaram, por exemplo, a bancarrota da Gamma, famosa agência francesa:
a) consolidação da indústria das imagens em torno de grandes agências – AP e Reuters.
b) avanço tecnológico responsável pela multiplicação da oferta e queda dos preços dos serviços e
c) a transição dos conteúdos tratados pela mídia, de temas mais densos, de cunho político e social, para temas leves, relacionados à autoajuda e à vida de celebridades. E conclui Wood Jr. “com tudo isso, os espaços de trabalho se reduziram, restringindo a atividade a nichos cada vez menores e mais disputados. Em suma, mudou a indústria, mudou a profissão”.
        É o que estamos apontando desde que voltamos todas as postagem de Pontodevista para as questões relativas à produção e utilização das imagens.

2. NA PIOR COM WALKER EVANS:
o retratista da América pobre

Reportagem de tres páginas (76,77,78) sobre o fotógrafo que deu “uma face e uma história aos Estados Unidos dos anos 30″.
        Chamado, em 1934, para fotografar a desolação americana pelo órgão de governo responsável por reduzir a zero a fome dos agricultores durante a crise, Farm Security Administration, uma das primeiras estruturas formadas pelo New Deal do presidente Roosevelt, Evans elaborou a seguinte lista de imagens a seus contratantes: “pessoas, todas as classes, cercadas por bandos da nova gente na pior; automóveis e a paisagem automotiva; arquitetura, gosto urbano americano, comércio, pequena escala, grande escala, clubes, a atmosfera urbana, o cheiro das ruas, as coisas odiosas, clubes femininos, pseudocultura, má educação, religião em decadência; o cinema. Comprovação de que as pessoas da cidade leem, comem, veem para se divertir, fazem para espairecer e não conguem. Sexo. Publicidade. Muitas coisas mais, sabem o que quero dizer”.
        Não deu outra, como escreve Rosane Pavam: “Há mesmo um drama imobilista nas imagens de Evans desse período… Seus personagens olham o fotógrafo fixamente, criticam-no, reprovam sua presença”.

O RETRATO

 
Marcelo Nova, de João
Henrique Netto, o Johnny,
em “Eles falam da Alma”. Nas
sextas-feiras postamos uma
foto e algumas linhas sobre
o autor. E, nos sábados,
seguiremos publicando
um retrato. No anterior foi
de Oscar Niemeyer.